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Franklin Cassaro

27 de Maio a 02 de Julho de 2017

Ás vésperas de comemorar 30 anos de carreira, Franklin Cassaro apresenta um panorama da sua produção. Criador dos infláveis usados na cerimônia das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o escultor carioca reúne um resumo de seu processo criativo, com infláveis, esculturas, objetos e fotografias – incluindo algumas peças que poderão ser manipuladas pelo público.

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Cassaro e as dobras no espaço-tempo

Lei de Incentivo à Cultura | mantenedores do MAM rio: Bradesco Seguros, Rede D’OR São Luiz, Petrobras e Organização Techint | realização Ministério da Cultura, Governo Federal – Ordem e Progresso

Esta exposição resume a trajetória poética de Franklin Cassaro. À primeira vista as dezenas de obras que a integram nos chamam a atenção para sua diversidade material e morfológica e não para as suas semelhanças – infláveis; recicloides; desenhos mordidos; vulvas e performances, por exemplo, não apontam para um imaginário dispersivo ou para a falta de “unidade de estilo” tão temida por alguns colecionadores e críticos.

Tal diversidade, inversamente, caracteriza a produtiva inquietação que move o processo do artista, mas é importante lembrar que essas dobras do espaço-tempo processuais de Cassaro estão apresentadas com base em conceitos cosmológico-ficcionais que as tornam, durante a exposição, um único trabalho. Merece, também, destaque a relação do trabalho do artista com a tradição da escultura clássica. Moldado em barro, fundido em bronze, fruto do desbaste do mármore ou da madeira, o bloco escultórico sustenta seu volume e massa próprios, no espaço, a partir de base em que eram fixados os pés das figuras esculpidas. A densidade e resistência dos próprios materiais de que eram feitas não eram suficientes para mantê-las de pé.

Escultores modernos como Wladimir Tatlin (contrarrelevos) ou Alexander Calder (móbiles) puderam revolucionar a escultura tradicional liberando-a do peso do bloco. Amarrados por cabos em ângulos de paredes, ou flutuantes, graças ao efeito do vento sobre sua estrutura (montada em função de sua suspensão a partir de um único ponto fixo no teto), esses trabalhos lograram separar volume e massa.

Primeiramente nos infláveis e depois em toda sua obra subsequente, Cassaro investiga diferentes possibilidades de autossustentação da escultura sem quaisquer outros recursos que não os de sua materialidade. Entretanto, os materiais escolhidos para fazê-lo são de natureza diametralmente oposta àquela da solidez da pedra ou do metal.

Nessas esculturas, portanto, entranhas/superfície, esqueleto/pele são feitos da mesma matéria; feitas só de ar, só de latas de refrigerante, de papéis de alumínio ou de mordidas em papel, elas criam um solo poético comum que ancora essa real e positiva pluralidade. Franklin nunca desvincula a invenção de seus trabalhos, dos métodos, técnicas e materiais utilizados para produzi-los.

Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes
Curadoria

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This exhibition gives an overview of the poetic trajectory of Franklin Cassaro. At first sight, the dozens of works it contains stand out for the diversity of their materials and their morphology, not for their similarities: the inflatables, recycloids, bitten drawings, vulvas, and performances, for instance, do not indicate a dispersive imaginary or the lack of a “unity of style” so feared by some collectors and critics.

Rather, this diversity is inherent to the productive urge that drives the artist’s process, and yet we should remember that the processual folds in space-time rendered by Cassaro are presented on the basis of cosmological-fictional concepts that make them a single work during the exhibition. Also worth noting is the relationship the artist’s work has with the tradition of classical sculpture. Molded in clay, cast in bronze, chiseled in marble or wood, the sculptural block sustains its own volume and mass in space from the base where the feet of sculpted figures were once fixed. The density and strength of the very materials they were made of was not enough to keep them upright.

Modern sculptors like Vladimir Tatlin (counter-reliefs) or Alexander Calder (mobiles) were able to revolutionize traditional sculpture, liberating it from the weight of the block. Attached by cables at angles to the walls or hanging mid-air thanks to the effect of wind on their structure (suspended from a single fixed point on the ceiling), these works sought to separate volume from mass.

First in his inflatables and then in all his subsequent work, Cassaro has investigated the different ways sculptures can hold themselves up by nothing more than their own materiality. However, the materials he chooses for this are by nature diametrically opposed to the solidness of stone or metal.

In these sculptures, entrails/surface, skeleton/skin are made of the same material; made only of air, only of beverage cans, of aluminum foil or bite marks on paper, they create a common poetic groundwork that anchors this real and positive plurality. Cassaro never separates the invention of his works from the methods, techniques, and materials he uses to create them.

Fernando Cocchiarale and Fernanda Lopes
Curators

 

 

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