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Em Polvorosa: Um panorama das coleções MAM Rio

30 de Julho a 05 de Março de 2017

A exposição ocupa todo o segundo andar. O primeiro segmento encerra em 05 de fevereiro e o segundo em 05 março.

 

Em Polvorosa: um panorama das coleções MAM Rio não foi concebida a partir de temas ou de questões. O nome é uma homenagem ao artista Tunga: em uma das obras sem título da série Desenhos em polvorosa, vemos corpos entrelaçados, que de tão próximos se misturam e acabam tendo seus limites confundidos. Encontramos no desenho de Tunga o que poderia ser considerada uma imagem-símbolo desta exposição. Seu foco é mostrar aos visitantes da cidade, do Brasil e do mundo a qualidade resultante da mescla das três grandes coleções que constituem o acervo do MAM Rio.

 

Juntas, as coleções MAM Rio, Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva somam mais de 16 mil obras, entre desenhos, gravuras, fotografias, pinturas, esculturas, vídeos, instalações, objetos, performances, livros de artista e intervenções. Individualmente todas apresentam particularidades que as tornam especiais, mas quando expostas em conjunto manifestam sua maior potência. A partir da combinação destes acervos é possível produzir diversos panoramas da produção artística brasileira e internacional, desde o final do século XIX até os dias de hoje. Mas panoramas, entretanto, resultam fatalmente em simplificações e hiatos posto que os2.500 metros quadradosdisponíveis para essa mostra estão muito longe de poder abrigar todas as obras do museu.

 

Portanto, sem qualquer pretensão de traçar por meio das coleções do MAM Rio um panorama ilustrativo de questões teórico-verbais – formuladas pela história da arte, por teorias antropológicas, filosóficas, políticas ou quaisquer outras –, a pesquisa desses acervos nos apontou, com base em suas próprias histórias, critérios para a edição dessa mostra.

 

A história dessas coleções, graças a muitas de suas obras, nos permitiu articular no espaço expositivo a arte brasileira com a de outros países. Mas sua melhor perspectiva foi apontada pelo reconhecimento de que a vasta coleção de imagens fotográficas do exotismo brasileiro (final do século XIX) e do foto-jornalismo (século XX) – muito bem representadas nestas coleções –, foram registradas para reforçar, visualmente, o noticiário impresso e pontuar silenciosamente a própria história do país. Expostas em vitrines, estas fotos nos mostram os diferentes grupos étnicos que formaram o perfil multicultural que caracteriza a sociedade brasileira hoje e o abismo social que ainda nos cinde. Elas são legendas visuais que – a despeito de seu valor artístico – emprestam sentido ao conjunto das obras expostas com base em conexões visuais provisórias de diversos níveis, tanto sintáticos (estruturais, compositivos e cromáticos) quanto semânticos (temáticos, históricos e icônicos).

 

Assim, o trabalho de curadoria aqui se constituiu como um livre exercício, que esperamos que os visitantes também façam, ao abrir o maior número possível de caminhos e possibilidades de articulação. Caminhos que em alguns momentos se aproximam e em outros se afastam, mas que nunca se excluem. Nesta exposição não há um único percurso já que não está organizada em ordem cronológica – ainda que, em alguns momentos, não se abdique dela totalmente.

 

Em Polvorosa: um panorama das coleções MAM Rio é, sobretudo, uma celebração do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do encontro dele com o público.

 

Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, curadoria

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In a Frenzy: a panorama of the MAM Rio collections was not conceived around any specific topics or issues. Its name is a tribute to Brazilian artist Tunga. In his series of Desenhos em polvorosa [Drawings in a Frenzy], there is an untitled work showing intertwining bodies that are so tangled together it is impossible to tell where one begins and the other ends. This drawing of Tunga’s could be taken as a kind of symbol-cum-image for this exhibition, which is designed to show visitors from this city, Brazil, and around the world the combined caliber of the three major collections held by MAM Rio.

 

The MAM Rio, Gilberto Chateaubriand, and Joaquim Paiva collections together contain over 16,000 works, including drawings, prints, photographs, paintings, sculptures, videos, installations, objects, performances, books by artists, and interventions. Individually, they all have particular features that make them special, but when exhibited alongside one another they manifest their heightened potential. By combining different works from the three collections, different overviews of Brazilian and international art from the late 19th century to the current day can be produced. But overviews inevitably contain simplifications and gaps, given that the 2,500m2 available for this exhibition could not possibly display all the works held by the museum.

 

Rather than drawing on these collections to offer an illustrative panorama of broader theoretical or verbal issues formulated by art historians, based on anthropological, philosophical, political, or any other theories, it was by researching the works they contain and their own histories that the criteria for this exhibition ultimately took shape.

 

Thanks to the historical periods represented in many of the works from these three collections, we were able to interrelate Brazilian art with that of other countries inside the exhibition space. One key realization was that the many photographs from late 19th century Brazilian exoticism and 20th century photojournalism – amply represented in these collections – were taken to provide supporting visual content for stories published in the press, silently portraying the country’s history. Displayed in showcases, these photographs reveal the different ethnic groups from which the present-day multicultural profile of Brazilian society derives, as well as the social gulf that still divides us. Irrespective of their artistic value, these are visual captions that lend meaning to the set of works exhibited here thanks to their provisional visual affinities, both syntactic (structural, compositional, chromatic) and semantic (thematic, historical, iconic).

 

The work of curating this exhibition was therefore a free exercise that we hope the visitors will also do, investigating as many potential different routes and interrelations as possible. Routes that sometimes converge and sometimes diverge, but are never mutually exclusive. In this exhibition there is no right way through, since it is not organized in chronological order, although at some points it does not completely disregard this criterion.

 

In a Frenzy: a panorama of the MAM Rio collections is first and foremost a celebration of the MAM Rio collections and an opportunity for them to be experienced by the public.

 

Fernando Cocchiarale and Fernanda Lopes, curators

Realização: Mantenedores do MAM Rio

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