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Operação Condor – João Pina

17 de Dezembro a 22 de Fevereiro de 2015

Para nunca esquecer

Foi depois de fotografar 25 ex-presos políticos portugueses, em 2005, que o fotógrafo João Pina passou a conhecer e pesquisar a Operação Condor, o plano secreto que, em 1975, durante a Guerra Fria, “irmanou” seis países latino-americanos: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai e Paraguai.

Todos vivendo sob o regime da ditadura militar de extrema-direita tinham a intenção de fazer calar os que pensavam de “outra maneira” e eram chamados de “ameaça comunista” e de “subversivos”.

Foram presos, torturados e assassinados. Muitos deles continuam “desaparecidos”, suas famílias devastadas e nós, que aqui estamos, somos vítimas desses mesmos crimes porque essa ausência não pertence apenas aos que estão “do lado de lá”: não podemos continuar a ser indiferentes a um passado como se ele não fizesse parte da nossa realidade e do nosso futuro “como se não tivessem existido genocídios, desde massacres ou desaparecimentos de pessoas até ao esquecimento induzido pela lei, através de anistias, perdões de penas ou indultos sob o pretexto de garantir a estabilidade política, quando na verdade o que se procura é garantir a impunidade”¹.

João Pina levou ao todo nove anos para chegar ao resultado final da Operação Condor. Sua lente (o aparelho/a câmera) funcionou como um olho a observar os efeitos que esse longo período da ditadura provocou em nossa sociedade, em alguns sobreviventes e nos familiares que convivem todos os dias com os profundos traumas que vão de depressões agudas a estados de paranoia e outros problemas psíquicos que transformaram a vida de várias gerações. Todas as imagens que aqui estão funcionam como um grito parado no ar: desde os retratos impregnados de silêncios e lembranças de mães que nunca mais viram seus filhos voltarem para casa; de ex-presos políticos que têm no olhar as cicatrizes dos campos de concentração; do sobrevivente mutilado pelas granadas que eram deixadas como armadilha na guerrilha do Araguaia; de centros de torturas hoje empoeirados pelo tempo, até a sinistra imagem do avião usado pelos militares argentinos que atiravam vivos militantes de esquerda no rio La Plata e no Oceano Atlântico e que hoje é utilizado como “objeto publicitário” para uma empresa de construção nos arredores de Buenos Aires. Portanto, estamos diante da nossa própria história.

Resta-nos saber que tipo de justiça queremos.

 

Diógenes Moura | Curador

¹ Baltasar Garzón Real, Operação Condor, Ed. Tinta da China, Portugal/Brasil, 2014

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