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Alberto Giacometti – Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris

09 de Agosto a 17 de Setembro de 2012

foto Rafael Ardoján



Alberto Giacometti (1901-1966) é um dos artistas mais importantes do século XX. Nascido na Suíça, ele se instala em Paris em 1922, onde permanece até sua morte. De 1925 a 1965, sua produção acompanha os grandes movimentos da modernidade: cubismo, surrealismo, abstração e retorno à figuração, sem nunca desviar-se de um caminho exigente, traçado de maneira independente.



Figura inclassificável, ele se empenha sem trégua em criar uma obra que procura responder a várias questões fundamentais sobre a prática artística, sempre atuais: o significado e os meios da representação, a relação da obra de arte com o espaço, o papel da arte e do artista.



Além disso, Giacometti aborda questões filosóficas essenciais como a relação entre o sujeito e aquilo que o rodeia, a inscrição do indivíduo no tempo e o papel da memória.



Rejeitando fórmulas prontas que atrapalham nossa percepção, Giacometti procurou a cada manhã lançar seu próprio olhar sobre as coisas e assim traduzí-las da forma mais exata possível. Ao convidar o observador a compartilhar de sua visão, ele nos encoraja a abrir nossos próprios olhos.



Esta exposição foi concebida a partir das coleções da Fondation Alberto et Annette Giacometti, criada em 2003, em Paris, pela iniciativa da viúva do artista, a partir das coleções do casal. A mostra traça todas as etapas da trajetória do artista em um percurso tanto cronológico quanto temático.



É um grande privilégio apresentar ao lado das obras da Fondation Alberto et Annette Giacometti as Quatre femmes sur socle [Quatro mulheres sobre base] do l, a única escultura de Giacometti pertencente a um museu sul-americano. Tendo sobrevivido ao incêndio de 1978, no l, ela testemunha fortemente a capacidade da obra de Giacometti de juntar os opostos: a fragilidade e  a força, a morte e a vida.



Véronique Wiesinger
Diretora da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris
Curadora da exposição



1  O Ateliê fotografado


Desde sua infância Giacometti é fotografado em ateliês. Inicialmente na escadaria do estúdio do pai, em Stampa, na Suíça. Anos depois, seu ateliê da rua Hippolyte-Maindron, em Paris, no qual se instala em 1926, fascina os fotógrafos por seu aspecto boêmio e acúmulo poético, que se tornará a marca de Giacometti. O artista arruma as obras em seu ateliê para as câmeras e estuda poses para reportagens publicadas em revistas. É tema de fotos mais íntimas feitas por amigos, como Ernst Scheidegger (1923), e que só serão publicadas depois de sua morte, modificando profundamente a imagem que ele desejara dar de si mesmo e de seu ateliê. Diante dessa avalanche de imagens que suscitam nostalgia ou fascínio, é preciso lembrar que Giacometti optou por nunca fazer fotografias. Encorajando o espectador a ver com seus próprios olhos, preferiu deixar para as gerações futuras suas obras, como questões e respostas que cada um é convidado a tratar por si mesmo.



O ateliê de Giacometti, no sentido amplo, era também Paris: bares noturnos e cafés, ruas, bordéis e monumentos, temas reunidos em seu último livro, Paris sans fin.



2  Uma Juventude passada no ateliê


Esta sala é dedicada às obras de juventude do artista (1901-1921) e às primeiras esculturas feitas em Paris (1922-1928). Sua primeira pintura a óleo, Nature morte aux pommes [Natureza-morta com maçãs], feita aos 14 anos de idade no ateliê suíço de seu pai Giovanni, pintor impressionista, está exposta com seu primeiro busto esculpido, Diego [Diego], 1914-1915.



A sala apresenta também retratos de Giacometti feitos por seu pai e por seu padrinho, o pintor simbolista Cuno Amiet (1868-1961), duas figuras essenciais no desenvolvimento artístico do jovem Alberto. Em 1922, Giacometti vai estudar em Paris e entra para a Académie de la Grande Chaumière, onde segue o curso do escultor Antoine Bourdelle (1861-1929). Da mesma forma que os desenhos de nus são testemunhas desse aprendizado, suas primeiras esculturas cubistas refletem a influência do escultor Jacques Lipchitz (1891-1973) e do pintor Fernand Léger (1881-1955).



3  O Encontro com as artes primitivas



Essa sala é dedicada à influência da escultura da África e da Oceania em Giacometti. Quando se interessa pela arte africana, em 1926, essa já não era novidade para os artistas modernos da geração precedente, como Pablo Picasso (1881-1973) e André Derain (1880-1954); tinha até se vulgarizado, chegando ter uso decorativo. As esculturas Femme cuillère [Mulher colher] e Le Couple [O casal] chamaram a atenção do público pela primeira vez. Expostas em 1927, no Salon des Tuileries, em Paris, essas peças revelam o alvoroço que a arte primitiva produziu no jovem artista.



Em 1928, Giacometti começa uma série de esculturas de mulheres e cabeças achatadas cuja novidade faz com que, em 1929, ele seja notado e obtenha seu primeiro contrato com a galeria de Pierre Loeb, que expõe os surrealistas. Nessa época, Giacometti se relaciona com Carl Einstein (1885-1940), autor do livro de referência sobre escultura africana Negerplastik (1915), e com Michel Leiris (1901-1990), que se tornará um especialista da arte dogon (tribo da região oeste da África). Obras mais tardias, entre elas gessos pintados e telas, mostram como a arte não-ocidental influenciou de modo duradouro sua produção. O artista afasta-se da representação naturalista e acadêmica rumo a uma visão totêmica e, às vezes, alucinada da figura, carregada de uma potência mágica.



4  A Experiência surrealista



Giacometti adere ao movimento surrealista de André Breton (1896-1966) em 1931 e rapidamente se destaca como um de seus raros escultores. Em 1935 é excluído do grupo, mas os procedimentos surrealistas desempenham uma importância contínua em sua criação: a visão onírica, a montagem e a assemblage, os objetos de funcionamento metafórico e o tratamento mágico da figura.



Esta sala apresenta Tête qui regarde [Cabeça que olha], obra que fez com que ele fosse notado pelo grupo em 1929, como também a Femme qui marche [Mulher caminhando], de 1932, concebida como um manequim para a importante exposição surrealista, de 1933, apresentada aqui na versão sem braços e cabeça. Uma versão pintada da construção sobre plataforma Le Palais à 4 heures du matin [O palácio às 4 horas da manhã] evoca o aspecto teatral de seu universo onírico.



Ao criar, em 1965, para uma retrospectiva em Londres, uma última versão da obra Boule suspendue [Bola suspensa], em uma versão pintada, Giacometti mostra a persistência de seu vínculo com esse movimento.



5  O Que é uma cabeça? As dimensões da representação



Essa sala é dedicada à questão da cabeça humana, o objeto central da pesquisa de Giacometti durante toda sua vida e o motivo de sua exclusão do grupo surrealista em 1935. Para ele, nessa época, a representação de uma cabeça, que parecia um tema banal, estava longe de estar resolvida. A cabeça e, sobretudo, os olhos são a sede do ser humano e da vida, cujos mistérios o fascinavam. Depois de Tête-crâne [Cabeça-crânio], de 1934, elaborada após a morte de seu pai Giovanni, suas diversas variações sobre as cabeças mostram que o tema não se esgota, especialmente com relação à escala: para Giacometti, traduzir sua visão com exatidão significava também indicar a distância do que estava sendo olhado. Nos anos 1930, os modelos para essa pesquisa são seu irmão Diego, a amiga artista inglesa Isabel (Delmer) e a modelo profissional Rita (Gueyfier). Isabel, vista de longe no Quartier Latin (bairro de Paris), é o tema de uma de suas primeiras figuras em miniatura Toute petite figurine [Figurinha minúscula].



Depois de sua volta a Paris, em setembro de 1945, Giacometti demonstra novamente que a monumentalidade está dissociada do tamanho, executando retratos de pequeno formato de personalidades importantes: a mecenas Marie-Laure de Noailles (1902-1970), a escritora Simone de Beauvoir (1908-1986), que ele conheceu em 1941, e o herói da Resistência Rol-Tanguy (1908-2002), a pedido do poeta Louis Aragon (1897-1962).



6  Uma Mulher como uma árvore,uma cabeça como uma pedra



Giacometti estava na Suíça durante a Segunda Guerra Mundial. Pouco antes de seu retorno a Paris, ele concebe a escultura que será o protótipo de suas figuras do pós-guerra: a Femme au chariot [Mulher com carro], que representa a imagem, de memória, de sua amiga inglesa Isabel. Em pé, de frente, com os braços ao longo do corpo e o rosto sem expressão, essa escultura é um exemplar da pesquisa de Giacometti, de 1945 a 1965, sobre o espaço da representação: as figuras são colocadas sobre bases que as isolam do chão, ou inscritas em gaiolas que delineiam um espaço virtual. Algumas composições, como La Clairière [A clareira] (ver sala Paisagens), são colocadas sobre plataformas em levitação – trata-se, aí também, de se estabelecer um espaço paralelo ao nosso.



As figuras femininas em pé são silhuetas alusivas, às vezes reduzidas a um traço, e sempre abordadas por etapas sucessivas que se traduzem por séries. As Quatre femmes sur socle [Quatro mulheres sobre base] e as Quatre figurines sur piédestal [Quatro figurinhas sobre pedestal] são duas propostas de representação de um grupo de mulheres em pé vistas à distância e em circunstâncias diferentes. Com os Trois hommes qui marchent [Três homens caminhando], Giacometti procura captar em escultura a visão fugidia de figuras em movimento. Em 1950, ele realiza uma série de esculturas que traduzem a imagem de uma clareira, onde as árvores seriam mulheres e as pedras cabeças de homem, imagem que, mais tarde, ele levará até o extremo, ou seja, o tamanho real.



Monumento



Em 1958, Giacometti é convidado a concorrer com um projeto para um monumento a ser instalado em uma praça em construção diante do novo edifício do Chase Manhattan Bank, em Nova York. Gordon Bunshaft, o arquiteto, envia para Giacometti, em fevereiro de 1959, as dimensões para que ele executasse uma maquete da praça, com o intuito de ajudá-lo a imaginar o espaço, já que o artista nunca estivera nos Estados Unidos. Giacometti optou por retomar os três motivos recorrentes em sua obra desde 1948 em grandes dimensões: uma figura feminina gigante em pé; um homem alto que caminha; e uma cabeça monumental colocada no chão, dispostos um em relação ao outro. Com esse monumento, ele permite ao espectador entrar, fisicamente, pela primeira vez em seu mundo maravilhoso, uma clareira mágica atravessada por silhuetas fugazes de homens caminhando, onde as árvores são mulheres e as pedras cabeças.

 

O monumento não foi instalado em Nova York, pois o artista desistiu do concurso. Optou por editar, separadamente, em bronze, cada uma das esculturas e apresentou uma primeira versão desse conjunto na Biennale di Venezia, em 1962. Em seguida, realiza uma versão da obra para o pátio da Fondation Maeght, na Côte d’Azur, França.
 

7  Objetos

A criação de peças de arte decorativa mostra o interesse de Giacometti por objetos utilitários, que admira nas sociedades antigas e primitivas. Em 1931, criou uma nova tipologia de esculturas, os “objetos móveis e mudos”: são peças que sugerem um movimento latente, executadas em madeira por um marceneiro. Assim como o Objet désagréable [Objeto desagradável] e o Objet désagréable à jeter [Objeto desagradável a ser descartado], a Boule suspendue [Bola suspensa] cria uma ponte entre o objeto e a escultura e questiona o próprio status da obra de arte. Em algumas dessas esculturas, Giacometti recorre pela primeira vez ao procedimento da “gaiola”, que lhe permite delimitar um espaço onírico de representação.

 

A partir de 1930, cria vários objetos utilitários, luminárias, vasos e arandelas, que eram vendidos pelo decorador de vanguarda Jean-Michel Frank (1895-1941). Concebeu também baixos-relevos em gesso ou em terracota para encomendas especiais – os aqui expostos foram feitos para um colecionador americano e para o palacete da família Louis-Dreyfus, em Paris. Em 1939, foi um dos artistas convidados para uma grande encomenda de um casal de colecionadores argentinos, para quem desenhou chaminés, lustres e consoles. Depois da Guerra, Giacometti continuou criando objetos, entre eles uma luminária, de 1950, inspirada na estatuária dogon e em objetos funerários egípcios; e um lenço, de 1959, encomendado por seu galerista Aimé Maeght.

 
8   Paisagens

Esta sala evoca o sistema de equivalências de Giacometti entre a figura humana e a natureza: os bustos são montanhas, as figuras em pé são árvores, as cabeças são pedras. Sob a luz do sol, a montanha parece vibrar com uma pulsação que se assemelha a respiração. O homem, tal como a árvore, está fadado a um processo de crescimento contínuo e morte. Esse tema adorna a porta que Giacometti faz para o jazigo (1956) da Família Kaufmann, na Pensilvânia (EUA).

 

Em 1958, atormentado por uma visão noturna, pintou, na urgência, um quadro que reúne homem, árvore e montanha, retomando a trilogia.

 

É sobretudo o cotidiano mais banal que contém algo de desconhecido e maravilhoso para Giacometti. Ele observa que a paisagem que pinta da janela de seu ateliê em Stampa não para de mudar e que ele poderia “passar todos os dias diante do mesmo jardim, das mesmas árvores e do mesmo fundo”, ou, em Paris, diante do pequeno pavilhão que pinta de sua porta. Ele se maravilha de “todas as belas paisagens que pode fazer sem mudar de lugar: a paisagem mais comum, mais anônima, mais banal e mais bela que se possa ver.”

 
9  Cinquenta anos de gravura

Giacometti fez suas primeiras xilogravuras ao lado de seu pai, quando ainda era um colegial. Ao longo de sua vida, praticou todas as técnicas de impressão: xilogravura, buril, água-forte, água-tinta e, principalmente, litografia, a partir de 1949. Em 1934, ilustra a coletânea L’Air de l’eau, oferecida por André Breton a sua esposa. Grande amante de livros e amigo de muitos escritores e poetas, Giacometti ilustrou também os escritos Les Pieds dans le plat, 1933, de René Crevel (1900-1935); Histoire de rats, 1947, de Georges Bataille (1897-1962); Vivantes cendres, innommées, 1961, de Michel Leiris (1901-1990); e Retour amont, 1965, de René Char (1907-1988). A partir de 1951, faz pranchas litográficas editadas pela galeria Maeght. Giacometti sempre foi partidário da difusão de sua obra graças à edição de qualidade, quer se trate de seus objetos de arte decorativa pela fundição em bronze ou de seus desenhos por meio da gravura.

 

A litografia por transferência do desenho sobre chapa de zinco tem a vantagem de só precisar de um material leve e manejável: papel especial e lápis litográfico, que permite a espontaneidade do traçado.

 

O artista pode assim sair do ateliê, ir para a rua e fazer croquis de cenas da cidade, das varandas dos bares, do metrô aéreo, dos canteiros de modernização, como o aeroporto de Orly, da gráfica do litógrafo, e depois voltar para o ateliê. Será esse o tema de Paris sans fin, coletânea de 150 gravuras encomendada pelo editor Tériade, na qual Giacometti trabalha a partir de 1959 e que somente será publicada depois de sua morte.

 
10  Fragmentos e visões

Esta sala é dedicada ao fragmento como evocação do todo, e ao surgimento de uma visão no espaço do espectador. Em 1921 e 1946, Giacometti foi testemunha de duas mortes que lhe deixaram uma lembrança indelével. Na cabeceira do primeiro moribundo, ele fica fascinado pelo nariz, que parece se alongar enquanto a vida lhe escapa. Diante do segundo cadáver, ele retém a cabeça jogada para trás, a boca aberta, os membros esqueléticos e o terror sentido pela ideia de que o morto invadiu o espaço e que sua mão poderia atravessar as paredes e alcançá-lo.

 

Perseguido por visões de cabeças suspensas no vazio, ele se empenha em traduzi-las em escultura. O fascínio desde a infância pelo olhar reforça sua impressão de que a vida está nos olhos. Dessa época, ele declara: “Não posso, simultaneamente, ver os olhos, as mãos e os pés de uma pessoa que está a dois ou três metros diante de mim, mas a única parte que olho acarreta a sensação da existência do todo”.

 
11   Em Torno de Jean-Paul Sartre

Esta sala lembra a importância das trocas de Giacometti com o intelectual Jean-Paul Sartre (1905-1980), que conheceu em 1941. Sartre escreveu dois ensaios fundamentais sobre a arte de Giacometti, publicados em 1948 e em 1954, que tratam da questão da percepção. Igualmente importantes são suas conversas com o tradutor japonês de Sartre e professor de filosofia Isaku Yanaihara, que posou para ele de 1956 a 1961.

 

Em 1948, o Estado francês, que desejava homenagear intelectuais e artistas nacionais encomendara a Giacometti uma medalha consagrada a Sartre. A medalha não foi executada, restando apenas seus desenhos, que podem ser vistos nesta sala.

 

De 1951 até sua morte, Giacometti realizou uma série de cabeças escuras que, juntamente com algumas cabeças anônimas, dão corpo ao conceito de homem “genérico” que Sartre resumirá em 1964, em seu romance Les mots, pela fórmula: “Um homem inteiro, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem”. A tradução desse conceito é a contribuição capital de Giacometti à história do retrato no século XX.

 
12   Retratos

Os retratos de Giacometti, pintados e esculpidos, são a tradução do modelo enquanto representação do Outro, que jamais é apreendido na sua integralidade. Livres de emoção ou expressão, esses retratos são abertos às significações do espectador. Para o artista, trata-se de captar e restituir a vida vibrante do modelo e não a sua psicologia. Assim, Rita, a cozinheira de sua mãe, torna-se, sob o pincel de Giacometti, um personagem hierático, livre de qualquer contexto sociológico. Seus modelos favoritos são os que vivem a seu lado: Annette, sua esposa desde 1949, e Diego, seu irmão e assistente. Quando trabalha de memória, faz surgir a imagem deles no seio de um espaço imaginário. Quando trabalha a partir de um modelo, recusa a perspectiva clássica para restituir o modelo tal como ele o vê – em seu aspecto fragmentado ou deformado, sempre mutante. Seus traços distintivos dissolvemse e, às vezes, fundem-se, ou se reduzem ao essencial.

 

Giacometti representa também modelos ocasionais, com a condição de que eles aceitem posar durante horas: o empresário e colecionador inglês Sir Robert Sainsbury, a intelectual refinada Paola Carola-Thorel, o artista Pierre Josse. Cada sessão de pose dá origem a uma nova sequência de percepções, que o artista acumula na mesma tela. A partir de 1960, passa a ter como modelo Caroline, uma bela mulher de personalidade complexa, que vive no submundo, e que é representada pelo artista sob três aspectos diferentes: deusa longínqua, figura totêmica e perigosa, e como beleza escultural.

 
13  O Último modelo

Esta sala reúne as três versões do busto de Eli Lotar, o último modelo masculino de Giacometti. Cineasta e fotógrafo, Lotar fizera parte da vanguarda surrealista nos anos 1930, e, no pós-guerra, caiu na miséria, passando a viver da generosidade de velhos amigos, como Giacometti. Posava em troca de dinheiro, porém, nessas sessões deveria manter imobilidade absoluta. “O olhar [de Giacometti] era percorrido por estranhos fulgores, seu corpo vibrava em todos os seus membros, ele só seguia os estímulos que governavam suas mãos, seus braços, suas pernas: estava em êxtase. Observando atentamente os dois rostos, compreendi o segredo que permitia a Lotar não respirar: se era o modelo ideal dessa escultura, era porque Eli estava morto. Ele não respirava, não pensava, permanecia concentrado ao máximo. Uma corrente elétrica ligava o artista ao modelo, os englobava em uma cumplicidade real. Brincavam juntos, sem bola, nem raquete, nem rede.” (Giorgio Soavi, 1966).

 

Nessas esculturas, que evocam o relicário ou a estatuária egípcia, aquele que se tornara um mendigo é elevado à dignidade de sacerdote. O escritor Jean Genet (1910-1986) notava que, para Giacometti, as mulheres são deusas e os homens sacerdotes, “pertencentes a um alto clero”, todos se ligando “sempre à mesma família altiva e sombria. Familiar e muito próxima. Inacessível.” (1957).

 
atividades paralelas

Conversas com profissionais cujas práticas apresentam desdobramentos contemporâneos da obra de Giacometti.
qua 18 jul 16h  auditório – Véronique Wiesinger, curadora da exposição e diretora da Fondation Alberto et Annette Giacometti. Conservadora para o Ministério da Cultura francês desde 1984, foi curadora das duas retrospectivas de Alberto Giacometti no Centre Georges Pompidou e na Biblioteca Nacional da França, 2007. Autora de livros e ensaios críticos sobre o artista.

sáb 21 jul 16h  auditório – Cecilia Braschi, historiadora da arte. Responsável pelos arquivos da Fondation Alberto et Annette Giacometti entre 2005 e 2011. Assistente de curadoria da mostra. Doutoranda em história da arte (Université de Paris I Panthéon-Sorbonne), sobre as relações culturais e artísticas entre Europa e América do Sul nos anos 40 a 60.

qua 8 ago 16h  auditório – Iole Freitas

sáb 25 ago 16h  auditório – Ernesto Neto

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