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Marcia X – Arquivo X

02 de Fevereiro a 14 de Abril de 2013

Realizar esta exposição e trazer para a coleção do MAM com patrocínio do Fundo Nacional da Cultura através da Funarte este acervo de Márcia X é um fato a ser comemorado. Primeiramente, pela relevância de uma obra iniciada na década de 1980, que se manteve sempre à margem das convenções e modismos, jamais abriu mão da radicalidade, soube ser coerente, crítica e bem-humorada e foi interrompida pela doença e morte abruptas. Além disso, abrigar estas obras e proposições em nossa coleção é um convite à reflexão institucional, a por em questão formas convencionais de catalogação, conservação e exposição.

A fronteira conflituosa entre o sagrado e o profano foi constantemente deslocada pelos objetos irreverentes da artista. Sua atuação sempre habitou o atrito, nunca quis acomodar-se no conforto da adequação. Sua presença nas performances que realizava sempre foi marcada por uma espécie de contenção expansiva, algo da ordem de uma sintonia fina entre fisicalidade e espiritualidade, entre corpo e transcendência. A contenção – assim como a ironia em outros momentos de sua obra – é importante para desidratar qualquer adesão à pieguice ou ao kitsch.

Indo além da crítica institucional, vivemos um momento de institucionalidade crítica. Uma importante questão para o museu hoje é como lidar com um tipo de obra que não se quer fixar na natureza física do objeto. Ao mesmo tempo, é obrigação do museu cuidar de um acervo e preservá-lo. Como apresentar ou re-encenar estas performances com toda a sua materialidade fragmentária – documentos, textos, fotografias, vídeos, resíduos materiais etc – é uma questão em aberto, cuja pesquisa de possibilidades se amplia com esta vinda para o MAM.

Luiz Camillo Osorio
Curador
Museu de Arte Moderna

curadoria Beatriz Lemos

patrocínio
Fundo Nacional de Cultura, Funarte, Ministério da Cultura

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